Preocupa-me muito os rumos que a
atual Secretaria Municipal de Educação traçou para nossa cidade. Vejo uma total
falta de critério para definir e executar metas de ensino que consigam
proporcionar as gerações futuras, perspectivas de galgar objetivos
profissionais e até mesmo de continuidade no ensino superior.
Enquanto o Governo Estadual
investe maciçamente na estruturação de suas escolas no ensino médio, como o
ocorrido na Escola Estadual Padre José Gonçalves de Souza. O município deixa
muito a desejar nas escolas de educação básica, tanto na infraestrutura quanto
na valorização dos professores e funcionários.
Confesso que fiquei inicialmente surpreso
com a informação de que nosso “Colégio” irá receber uma homenagem na Cidade Administrativa
pelo ótimo desempenho alcançado nas avaliações governamentais. Prova de que
mesmo com uma base falha no ensino de 1ª a 9ª série, nossos estudantes tem um
grande potencial que se melhor explorado, poderia surtir em frutos magníficos
para nossa cidade.
A Secretaria Municipal de
Educação, tendo a sua frente uma secretária que veio da esfera Estadual, teve
todas as condições técnicas, ou pelo menos deveria ter, de colocar em prática o
modelo de sucesso alcançado pela Educação Mineira, diga-se, comprovada em
testes a melhor do país. Mas, contrariando a lógica, não conseguiu implantar
nenhum avanço na área.
Nossos professores municipais, guerreiros
na batalha árdua de repassar conhecimento, sofrem com o descaso, a falta de
diálogo, uma perspectiva de um plano de carreiras e salários pífia, sem falar
na falta de estrutura para ministrarem suas aulas.
Nosso problema não se restringe a
vergonhosa falta de salários em dia. Nossas escolas não contam com bibliotecas
atualizadas, acesso a era digital universalizado aos alunos, estrutura adequada
para pratica de esportes, muito menos atividades culturais como aulas de teatro
e música.
Os jogos estudantis foram a prova
de que mesmo sem o mínimo apoio, conseguimos chegar ondem poucos imaginavam
possível. Mas, uma coisa é não apoiar, outra é, como foi feito pela
Administração Municipal, atrapalhar aqueles que buscavam na iniciativa privada
e em outros municípios, recursos para as outras etapas. Esse foi um desrespeito
com os organizadores, com os atletas, mas principalmente, com o povo de
Felixlândia.
Também tínhamos uma faculdade em
nosso município. Penso que essa não era a solução para a formação técnica e
superior de nossos alunos, todavia, devido a falta de ousadia e visão de nossos
governantes, ela nos atendia em uma parcela até mesmo considerável daqueles que
desejavam dar continuidade as estudos, até mesmo vindo estudantes de cidades vizinhas.
Pois bem, a atual Secretaria Municipal de Educação, em uma de suas primeiras
atitudes, sucateou a faculdade! Removeu aparelhagem e computadores que foram
adquiridos para um único fim, o de serem a contrapartida de um contrato firmado
com a Instituição de Ensino. Esse foi o começo do fim. A Instituição, que tinha
planos de aumentar o investimento e ampliar os cursos oferecidos à população da
cidade, viu na atitude o desejo de sua retirada, diga-se de passagem, por
motivação única e exclusivamente política.
Agora me falem. Até quando
deveremos ter que exportar nossos jovens para obtenção de ensino técnico e
superior em outras cidades? Eu viajei por 3 anos, todos os dias para Sete
Lagoas para poder estudar. Nesses 3
anos, percorri ± 140.000 km, dava para dar 3,5 voltas ao redor da Terra.
Os que estudam, tanto em Sete Lagoas, quanto em Curvelo, estão sujeitos as mais
variadas intempéries, sem falar no desgaste da viagem, e nossa Secretaria de
Educação se dá ao luxo de dispensar uma Faculdade? Já viram que colosso é a
Unipac na cidade de Bom Despacho? Complicado, né?!
Pude estar presente no feriado de
7 de setembro e o mesmo me marcou por duas situações distintas. A primeira foi
a falta de respeito cívico pela qual a Secretaria Municipal de Educação tratou
o Desfile da Independência. Mal organizado, já esvaziado em sua concepção, sem
nenhuma apresentação digna da data. As minúsculas comitivas escolares, apenas
passaram pelo pavilhão nacional e se dispersaram no mesmo momento. Uma
vergonha! Ao me lembrar da época que tínhamos ao menos o Grupo Escoteiro em
nossa cidade, que mantinha seus membros em regime de revezamento mantendo o
pavilhão nacional sob guarda, fazendo a cerimonia tanto de hasteamento às 8
horas quanto a de arriamento às 18 horas, ver o que ocorreu na última
sexta-feira é de entristecer. Por outro lado, fiquei surpreso com o ensaio da
Banda de Música Arte e Conquista ao lado do Santuário. Banda de Música, diga-se
de passagem, uma das mais tradicionais de Minas, fez de seu ensaio uma apresentação
digna das que ocorrem no Parque Municipal e na Praça da Liberdade em Belo
Horizonte. Logicamente respeitando as comparações, fez todos aqueles que
passavam no local, crianças, jovens, adultos e idosos, pararem por um instante
e se banharem de cultura. Fiquei admirado e orgulhoso pelo inesperado “evento”.
Mas a seu término, pude observar que a falta de apoio ainda é evidente.
Por que não, a Secretaria de
Educação aproveitar esse tesouro que temos em nossa cidade e o incorporar nas
escolas? Imaginem concertos periódicos ao ar livre. Ainda mais nesses dias de
verão. Temos o palco em frente ao Santuário com um bom espaço para se levar
toda a família. Temos um coreto, que hoje em dia se transformou em um outdoor
de propaganda das mais diversas possíveis que serve apenas para poluir
visualmente o centro de nossa cidade.
Não. Fica a impressão de que a educação
não foi a prioridade desse governo nos últimos 3 anos e 8 meses. E vos falo
mais ainda. Sem educação, nunca poderemos ter uma cidade melhor.
O povo não é alienado por vontade
própria, o povo é alienado por inércia calculada de seus governantes!
Um Cordial abraço a todos!
Att. Rafael Pereira

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